Redomas de vidro: relações entre tato, cultura material e práticas de institucionalização

Uma pergunta costuma me atormentar, dada sua aparente obviedade: porque não podemos tocar os objetos em museus? Podemos ver, podemos olhar, mas não podemos interagir com a cultura material institucionalizada. Por quê? Embora a resposta mais óbvia seja a de que o toque pode resultar na destruição dos...

Full description

Bibliographic Details
Main Author: José Roberto Pellini
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Universidade Estadual de Campinas 2015-06-01
Series:Revista Arqueologia Pública
Subjects:
Online Access:https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8635679
Description
Summary:Uma pergunta costuma me atormentar, dada sua aparente obviedade: porque não podemos tocar os objetos em museus? Podemos ver, podemos olhar, mas não podemos interagir com a cultura material institucionalizada. Por quê? Embora a resposta mais óbvia seja a de que o toque pode resultar na destruição dos objetos, acredito que haja algo mais profundo envolto nessa questão, que é a construção do tato como o sentido do inculto, do selvagem. Nesse sentido, tocar ou não tocar estabelece um jogo de autoridade que define o Eu e o Outro. Ao mesmo tempo, ao se excluir a possibilidade da interação corporal com os objetos, limita-se o entendimento do público e perpetua-se um modelo específico de entender o mundo.
ISSN:2237-8294